Processos de Influência Social

21 Fevereiro, 2007 at 10:24 pm 7 comentários

Abaixo menciono 4 processos de influência social, que a meu ver, causaram um maior impacto na história da psicologia social, nomeadamente, conformismo, normalização, obediência à autoridade e inovação. A descrição feita em cada item é breve, apenas com a finalidade de esclarecer o que consiste cada processo.

Os nomes mencionados em cada processo são referentes a autores que mais se debruçaram pelas temáticas correspondentes.

Conformismo de Asch

O conformismo é um dos processos de influência social, que tem uma expressão implícita e que pressupõe sempre uma norma gerada em grupo. Diz respeito ao sujeito ou grupo se submeter e aceitar a norma do outro sujeito ou grupo. Neste processo, a minoria vai submeter-se a norma proveniente da maioria.

A experiência mais famosa e histórica deste processo é de Asch, na qual um grupo de oito indivíduos (dos quais 7 são comparsas e apenas um deles é efectivamente o sujeito experimental, considerado sujeito ingénuo) é convidado a comparar uma linha padrão com outras 3 linhas desiguais, em que apenas uma dele é igual à linha padrão. Cada um dos 8 participantes da uma resposta em voz alta, sendo que o sujeito ingénuo é sempre o ultimo a responder.

270px-asch_experiment.png

Apesar da situação não conter qualquer tipo de ambiguidade e ser muito objectiva, as respostas conformistas eram numerosas, rondavam os 70%. Apenas, aproximadamente 1/3 do grupo se manteve independente das pressões do grupo, dando assim respostas correctas.

Estudos posteriores demonstram que o conformismo diminui aquando as respostas dos sujeitos experimentais não são conhecidas da maioria e aumenta quando são conhecidas. E, por outro lado, quando os sujeitos têm uma concepção de pertença face ao grupo em que estão inseridos, o grau de respostas conformistas também aumentam.

Normalização de Sherif

Tal como processo anterior, o processo de normalização é um processo no qual a influência do grupo é implícita, não há portanto pressões do grupo sobre o individuo alvo, também não são consideradas nem boas nem más respostas, todas elas são incertas, e não existem normas previamente formadas antes da experiência.

No entanto, o contexto em que a experiência é feita para testar a veracidade deste fenómeno é ambíguo, os indivíduos não se conhecem antes da experiência e são poucos afectados pelas suas respostas.

A experiência consistia em, numa sala escura, os intervenientes tinham de contar quantas vezes um ponto luminoso visível se movia. Esta situação era realizada individualmente, em grupo e novamente individualmente. Cada individuo para si, estabelecia um ponto de referencia que lha permitia fazer sucessivas avaliações; uma vez colocado em grupo, os desvios de variação e ar normas convergiam, e novamente em grupo, a norma estabelecida em grupo, anteriormente, tende a manter-se.

Sherif verificou que mesmo quando todos os dados o indicavam, os sujeitos negavam ter sido influenciados pelos outros, e quanto mais incertos os indivíduos estavam incertos da realidade, mais influenciados eram pelos outros.

Concluiu então que a norma colectiva não é necessariamente a posição media do grupo, resulta dos processos de interacções de cada grupo, a norma estabelecia tende a manter-se no tempo.

Obediência à Autoridade de Milgram

Ao contrario dos anteriores, este processo pressupõem um poder explícito de influência nos sujeitos alvo.

A experiência realizada pelo autor consistia em “aleatoriamente” atribuir papeis de professor e aluno entre os voluntários, em ao sujeito ingénuo era atribuído o papel de professor que dava choques eléctricos (castigos) ao suposto aluno que estava numa sala ao lado. Os choques eléctricos aumentavam de potência conforme o número de respostas erradas. O “professor” era obrigado e incentivado sempre a prosseguir com os castigos, com vozes de “que não tinha a responsabilidade de nada” e “que estava apenas a seguir ordens”.

milgram_experiment.png

Ao contrário do esperado, cerca de 65% dos participantes obedeceram as instruções do experimentador até ao fim da experiência, apesar de terem a noção que provocavam dor e sofrimento nos seus companheiros e, pessoalmente, também se sentirem desconfortáveis com a situação.

É evidente, nesta experiência o estado agêncico, ou seja, o “professor” considera-se um agente que executa os desejos de outrem; rotinização, na medida em que o comportamento é transformado em acções rotineiras; desumanização, uma vez que as vitimas são privadas da sua individualidade sendo mais fácil agir com elas; e os sujeitos evitam pensar nas implicações do que estão a fazer.

Inovação de Moscovici

Este processo de influencia social, ao contrário dos anteriores, advém de uma influência e pressão social de uma minoria. Acontece quando um grupo minoritário consegue alterar os pontos de vista ou normas maioritários, não necessitando propriamente de serem providas de poder perante as maiorias.

Estudos realizados demonstram que uma minoria consistente, sem demonstrar uma imagem de rigidez, pode ter maiores efeitos nos julgamentos públicos da maioria; os efeitos só são visíveis após um determinado período de tempo; e um estilo mais flexível pode ser bastante eficaz desde que a minoria deixe transparecer um esquema nas suas posições.

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Entry filed under: Psicologia Social.

Interacção de grupos Milgram

7 comentários Add your own

  • 1. A web2.0 é recheada de influência social « Shirakashi  |  15 Fevereiro, 2008 às 1:20 am

    […] Leia mais sobre influência social e conheça experimentos interessantes realizados sobre ela nesse post do blog […]

    Responder
  • 2. Dr. Mauro Luis Suarez Rocha  |  14 Setembro, 2008 às 5:11 pm

    obrigado

    Responder
  • 3. Hipolito das Neves Alfredo Machaieie  |  20 Maio, 2009 às 7:18 am

    Gostaria de saber mais sobre os factores de influencia social

    Responder
  • 4. Cátia  |  01 Junho, 2009 às 8:37 pm

    Obrigado! Foi muito útil.

    Responder
  • 5. Cogumelita  |  19 Junho, 2009 às 11:24 am

    A experiência consistia em, numa sala escura, os intervenientes tinham de contar quantas vezes um ponto luminoso visível se movia.

    Esta parte está incorrecta. A experiência consistia em dizer quantos metros ou centímetros ou milímetros se tinha deslocado a luz vermelha que observavam. Sendo que, na realidade, esta luz nunca se mexia.

    No livro da Gulbenkian de Psicologia Social (2006, 7ª edição, página 230), diz que as questões às quais Sherif procurou responder às questões:

    “Como varia a extensão do movimento ilusório percebido em várias condições?”
    “Que efeito pode ter a sugestão na direcção dos movimentos ilusórios percebidos?”

    Responder
  • 6. Many sifa tuaire  |  17 Abril, 2012 às 4:06 pm

    Gostaria e agradecia que me definissem o poder de recompensa

    Responder
  • 7. cellinea opinie  |  03 Agosto, 2014 às 4:11 pm

    Thanks for sharing your info. I truly appreciate your
    efforts and I am waiting for your further post thanks once again.

    Responder

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